QUEM FOI BOCAGE

 

 

Manuel Maria Barbosa du Bocage foi um poeta setubalense que nasceu na cidade sadina no ano de 1765. A mãe pertencia a uma família da Normandia tendo falecido cedo quando ele tinha apenas 10 anos de idade. Sua infância foi infeliz e em 1786 foi para Índia como guarda-marinha, após ter estado no Rio de Janeiro, tendo regressado a Lisboa em 1790 onde ingressou na Academia de Belas Artes ou Nova Arcádia com o pseudónimo de "Elamano Sabino". Foi preso e entregue á Inquisição em 1797  denunciado como maçom onde era conhecido por "Irmão Lucrécio".  Faleceu em Lisboa no ano de 1805 vítima de um aneurisma.

Na verdade, Bocage era muito mais do que um "poeta anedótico, repentista e erótico" como  muita gente ainda hoje conhece, pois possuia uma vasta erudição que lhe foi ministrada por um Padre Espanhol (D. João de Medina) atingindo por isso "excelsas alturas literárias" na arte de bem fazer Sonetos que são, segundo os entendidos, o "ouro da culminação da Obra Poética" que muitos lhe atribuem.

Claro que foi um boémio, como Ary dos Santos e tantos outros poetas portugueses, talvez mais por viver numa época conturbada onde foi alvo de muita inveja que lhe "ladrou furibunda aos calcanhares", como dizia Teixeira de Pascoaes, porém é já nos últimos dias de sua vida, no leito de morte, Bocage ainda teve tempo e força para fazer seu último soneto, dizendo:


Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se  me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
 


Seu arrependimento evidenciou, de certo modo, tudo o que sentia pela sua ligação à Maçonaria, onde mereceria ser lembrado como tantas outras figuras importantes com o nome de várias ruas no país, sendo que na capital,  a rua principal onde se situa a Qtª da Regaleira,  lugar místico com a "Mansão Filosofal"  de Portugal, lá está a Rua Du Bocage pela homenagem que lhe foi feita por alguma razão...
 

Pausa para reflexão!
  
Rui M. Palmela  

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